segunda-feira, 29 de setembro de 2014




A Princesa e o Sal


Era uma vez um rei que tinha três filhas. Um dia perguntou a cada uma delas, de que modo é que gostavam dele.
A mais velha respondeu: 
– Quero mais a meu pai, do que à luz do Sol. 
Respondeu a do meio: 
– Gosto mais do meu pai do que de mim mesma. 
A mais moça respondeu: 
– Quero-lhe tanto, como a comida quer o sal. 
O rei ao ouvir as respostas das filhas, entendeu que a mais nova não o amava tanto como as outras, e resolveu pô-la fora do palácio. 
Ela foi andando muito triste por esse mundo, até que chegou a um palácio onde se ofereceu para ser cozinheira. 
Um dia veio à mesa do rei um pastel muito bem feito, mas este ao parti-lo achou dentro um anel muito pequeno, e de grande valor. O rei intrigado perguntou a todas as damas da corte de quem seria aquele anel. Todas queriam que o anel lhe servisse mas o mesmo só serviu à cozinheira. O príncipe ao ver a rapariga ficou logo apaixonado por ela e pensando que ela devia pertencer a uma família de nobreza resolveu espreitá-la. 
Um dia, viu-a vestida com trajos de princesa e foi logo chamar o rei seu pai para ele ver o que estava a acontecer. O rei, ao ver aquela situação, deu licença ao filho para casar com ela. 
A rapariga aceitou casar com o príncipe mas só com uma condição: tinha que ser ela a cozinhar o jantar da boda. 
Para a festa, foi convidado o rei que tinha três filhas, e que pusera fora de casa a mais nova. A princesa cozinhou o jantar, mas na comida que havia de ser servida ao rei seu pai não meteu sal. 
Todos comiam com vontade, mas só o rei convidado é que não comia. Por fim, o dono da casa preocupado, perguntou-lhe porque é que ele não comia. O rei não sabendo que assistia ao casamento da filha disse: 
– Não como nada porque a comida não tem sal. 
O pai do noivo fingiu-se muito zangado, e mandou que a cozinheira viesse ali dizer porque é que não tinha deitado sal na comida do seu convidado. 
Então a cozinheira vestida de princesa, entrou na sala. O pai assim que a viu, conheceu-a logo, e confessou ali a sua culpa, por não ter percebido quanto era amado por ela, quando esta lhe disse, que lhe queria tanto como a comida quer o sal. 
A princesa perdoou o pai e viveram todos felizes para sempre. 

Este reconto foi baseado no conto tradicional “A princesa e o sal” de Teófilo Braga 


"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens."




"Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros."
"Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar?
Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça."

Postar um comentário